top of page

A primeira prova de corrida da minha vida

  • Foto do escritor: Luciana  Klain
    Luciana Klain
  • 28 de abr.
  • 2 min de leitura

Um dia antes, todos os planos para o grande dia. A pessoa mais próxima a mim entendeu como agitação. Achou até que era demais. Me pergunto: demais para quem? Quem mede o mais e o menos? Eu senti como “muita alegria” .  Um movimento interno e externo que se resumia a uma coisa simples: muita alegria! Era só, porém, grande para mim. Não coube direito nos espaços disponíveis naquele dia para os outros . 

Chegou então  o dia da prova! Preparo o que é de fora: roupa, detalhes para realizar a prova, o corpo e todo cuidado com ele. Aliás, veículo do meu transporte daquele tão esperado dia. 

Para mim era grande tudo aquilo. 

Olhando agora consigo ter mais clareza. Não era só a primeira prova. Era muito mais.

A primeira prova veio uns 5 meses antes. Não pude realizar. Perdi minha mãe naqueles dias. Grande isso! Até aquele momento eu estava me preparando para conquistas, não para perdas. Fui experimentando vários desafios, me contando que precisaria de tempo. Ajustes no corpo, diagnósticos médicos mais limitantes... perseverei. Minha mãe também fez isso. Perseverou. Sua presença foi lição. Aprendi com a consciência da minha maturidade. Agradeço. 

Dai surgiu o que eu precisava cuidar. Da minha pisada. Sim. Precisei olhar para isso. Meu corpo novamente dando noticias. Precisei parar de correr por conta de uma inflamação no pé. Para qualquer outro poderia ser uma bobagem. Para mim não foi. Olhei e cuidei de cada detalhe. Os cuidados médicos, claro. Mas foi nos cuidados simbólicos que tudo fez sentido. 

Precisei olhar para a pisada de antes, para ajustar o que eu tinha agora pela frente. Nova pisada. Literalmente e simbolicamente. Antes os passos tinham suporte externo. Meus pais. Agora, sem eles, o suporte precisou ser de mim mesma. 

Muito dedicada , disciplinada, fiz meu melhor , para mim mesma. Sem violência. Aliás, chega de violências.

A  prova deste dia foi tão simbólica qto tudo isso que  apresento até aqui. Prova em prol do Instituto Phala, local de cuidados para surdos e mudos da minha cidade. Olha só! O investimento era em prol daqueles que vivem num silêncio do externo, absolutamente sensíveis a desenvolver habilidades para viver neste mundo barulhento! Eu estava ali, em silêncio com o externo, conectada comigo e com minha história até chegar ali. 

É grande para mim. E é assim que faz me faz sentido. 

No meio do caminho chorei. Estava feliz por não estar com dor física. 

Estava feliz por perceber que perseverar faz sentido quando dentro do corpo temos a potência de acreditar. 

Eram muitos nãos. Eu me conectei com o sim para mim. 

Meus pais olhariam e certamente estariam dizendo:” essa menina é danada “! 

Sim. Sou. Carrego comigo a gentileza de meu pai e a potência da minha mãe. 

Fiz um bom caminho até aqui! 

Agora sigo aprimorando!

Ah!! A corrida? Sim! Foram 6,5 km percorridos, num tempo possível para mim. Com muita honra! 

Foi grande!!!!

Luciana klain 

2025

 
 
 

Comentários


bottom of page