O PROFUNDO
- Luciana Klain

- 19 de mai.
- 1 min de leitura

Fico aqui em contato com meu movimento. Percebendo, sentindo.
Se fosse Natureza, eu seria uma águia voando , e de lá de cima avistando meu alvo, num mergulho cirurgicamente calculado, numa velocidade certeira, saioi da condição do céu e vou para terra e ali me encontro com meu alvo, aproveitando daquele momento. Alimento, nutrição, vida.
Assim costuma ser muitos dos meus movimentos internos. Do Céu para Terra, de uma superfície para outra totalmente oposta. Ondas emocionais. Assim acontece comigo.
Sinto agora meu corpo entorpecer. Uma emoção toma conta. Um encontro. Nem saberia dizer de que ordem... com quem... mas me é familiar e confortável. O profundo é muito confortável para mim.
No profundo tenho poucos encontros. É mais solitário. Intenso. Grande.
Ali no profundo constato que essa imensidão não cabe fora. Minha paisagem interna é muito maior que a paisagem externa. Ajustar é desafiador.
Ajustar para quê? Para quem?
Em contato com meu movimento, percebo e sinto que preciso cuidar de mim, para que o ajuste não me violente. Chega de violência comigo.
A Natureza me auxilia. O som dos pássaros, da água caindo sobre as pedras, o som que me conduz à Unidade.
Sou grande sim, como é a Natureza. Me conecto ao todo e daí posso voltar a respirar. Encontro a luz no meu centro de força. Sigo. Criando as palavras que dão sentido ao que sinto.
Talvez as palavras daqui ressoem por aí.
Fico feliz em trazer vocabulário para o indizível, o que é indizível para mim e para os outros seres.
Se não ressoar para além de mim, já fez pouso aqui.
Luciana klain
2025



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