Movimentos das paisagens internas de uma mulher mãe
- Luciana Klain

- 19 de mai.
- 2 min de leitura

O rabisco do meu inconsciente trouxe a forma de quem fui... a forma de muitas mulheres mães que estão por ai.. julgadas e sozinhas.
A mulher que guarda uma menina pequena, ávida por sair... a mulher que triste, enlouquecida com a tarefa da maternidade, se depara com a solidão desta experiência. Um lugar que angustia, que faz contato com o profundo labirinto que está dentro de mim.
Aí fora tudo corre rápido. Tento acompanhar mas , porque estou perdida no labirinto, só sinto e percebo o que os outros esperam de mim. Sobre mim, pouco ou quase nada sei.
Lamento
Me entristeço
Me culpo por não estar plena como dizem que eu deveria estar.
Não encontro rede de apoio para minha profundidade
Tudo que chega é muito raso.
Poucos, muito poucos me vêem. Não é suficiente para eu sentir força e sustentar meu bebê.Ele me olha . Depende de mim. Eu grande, ele pequeno. Me sinto pequena tanto quanto ele. O que é tudo isso?
Aos poucos vou dando forma às sementes que sempre estiveram dentro de mim e eu nem sabia. Não sentia. A dor do desamparo era maior.
Aprendo com o tempo, com ajuda de poucos, a cuidar de mim. Eu consigo ressignificar minha trajetória até aqui.
Hoje sinto minhas pernas para caminhar. Antes era como se elas fossem de outro corpo.
Sempre tive a semente da crença em algo maior e melhor, dentro de mim. Estava escondida .
Hoje sinto que posso ser bússola para outras, que como eu, se perderam de si mesmas.
Eu fiz um caminho possível para mim.
Cada mulher mãe pode se apoiar na bússola e criar seu caminho possível.
Digo sim a vida que meus pais me deram.



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